Evento realizado no Tecnopuc reuniu especialistas para discutir como a Inteligência Artificial está transformando a gestão de produtos, o desenvolvimento de software e as competências exigidas dos profissionais.
A Inteligência Artificial deixou de ser uma novidade para se tornar parte da rotina das equipes de produto e tecnologia. A questão que mobiliza empresas e profissionais agora não é mais se ela deve ser utilizada, mas como incorporá-la de forma estratégica, segura e capaz de gerar valor para os negócios.
Esse foi o principal consenso do painel “IA Aplicada à Gestão de Produtos Digitais”, promovido pela DBServices Portugal, em parceria com a Parasoft, no dia 2 de julho, no Tecnopuc, em Porto Alegre. O encontro reuniu profissionais de tecnologia, engenharia, gestão de produtos e inovação para uma manhã de debates sobre os impactos da IA no desenvolvimento de produtos digitais.
Ao longo do painel, especialistas compartilharam experiências práticas sobre como a Inteligência Artificial já está redefinindo processos, acelerando entregas e alterando o perfil dos profissionais que atuam em tecnologia. Entre os temas debatidos estiveram produtividade, governança, segurança da informação, custos computacionais, formação de equipes e a evolução do papel do Product Manager.
O desafio deixou de ser a adoção
Um dos pontos recorrentes da discussão foi que a adoção da IA já acontece de forma espontânea dentro das empresas. O desafio passa a ser estabelecer boas práticas, definir limites e preparar as equipes para utilizar essas ferramentas com responsabilidade.
Para Rogerio Timmers, Diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da HPE Brasil, a mudança já está consolidada.
“A barreira não é mais usar IA. A barreira agora é como usar.”
Segundo o executivo, a transformação vai além da tecnologia e atinge diretamente a gestão das pessoas. Com o surgimento de agentes inteligentes atuando ao lado das equipes de desenvolvimento, empresas passam a administrar times híbridos, compostos por profissionais e agentes de IA, exigindo novos modelos de liderança, desenvolvimento de competências e gestão de custos.
Rogerio também destacou que a Inteligência Artificial altera o perfil esperado dos engenheiros de software.
“Mudou o jeito de um engenheiro funcionar. Não é sair usando IA de qualquer forma; é preciso entender o negócio, gerir consumo, custos e preparar as carreiras para esse novo mundo.”
Na HPE, esse novo cenário já trouxe desafios concretos relacionados ao consumo de tokens, reforçando a necessidade de equilibrar produtividade, infraestrutura e sustentabilidade financeira na adoção da IA.
IA amplia a velocidade, mas exige maturidade
Na visão do empreendedor e especialista em inovação Paulo Guilherme Gil, cofounder da Triider e ZIA Mentora, a resistência à Inteligência Artificial tende a diminuir rapidamente quando as equipes percebem os ganhos de produtividade proporcionados pelas novas ferramentas.
“Hoje o grande desafio da adoção não é mais convencer as pessoas a usar IA. É usar do jeito certo.”
Durante sua participação, Paulo destacou que profissionais de produto têm uma oportunidade única de ampliar seu protagonismo à medida que desenvolvem competências para orientar modelos de IA, interpretar dados e transformar informações em decisões estratégicas.
“Se os profissionais de produto aprenderem a orientar a IA, eles vão liderar essa revolução.”
O especialista também apresentou exemplos práticos de aceleração no desenvolvimento de novos negócios. Segundo ele, atividades que antes levavam dias ou semanas já podem ser realizadas em poucas horas com apoio da Inteligência Artificial.
“Do zero ao MVP completo está impressionantemente rápido.”
Para Paulo, essa velocidade representa uma mudança significativa no processo de inovação, permitindo validar ideias e colocar produtos no mercado em um ritmo nunca visto anteriormente.
Segurança e governança seguem como prioridades
Além dos ganhos de produtividade, o painel também abordou um dos temas mais sensíveis da adoção da IA: a proteção dos dados corporativos.
O CTO da Doc9, Alexandre Stumpf, alertou para os riscos de utilizar modelos públicos sem mecanismos adequados de controle.
“Tudo que sai da tua rede, da tua aplicação, para LLMs externas, está inseguro.”
Segundo Alexandre, organizações que pretendem utilizar Inteligência Artificial de forma estratégica precisam investir em governança, anonimização de dados e modelos internos capazes de preservar informações sensíveis de clientes e operações.
Outro ponto destacado foi o papel da liderança na condução dessa transformação tecnológica. Para ele, muitas resistências ao uso da IA estão relacionadas ao receio dos profissionais de perder relevância diante da automação.
“O desafio da liderança é dar tranquilidade para que o time use a IA para produzir mais, entregar mais e focar no valor do negócio.”
Na avaliação do executivo, à medida que as barreiras técnicas diminuem, competências como visão de negócio, comunicação e liderança tornam-se ainda mais relevantes para os profissionais de tecnologia.
Product Managers ganham protagonismo
Outro consenso entre os palestrantes foi que a Inteligência Artificial tende a aproximar ainda mais as áreas de produto e tecnologia.
Na visão apresentada durante o painel, profissionais de produto que aprenderem a utilizar IA para análise de contexto, definição de requisitos, priorização e apoio à tomada de decisão poderão assumir um papel ainda mais estratégico dentro das organizações.
Como resumiu Alexandre Stumpf:
“É muito mais fácil alguém de produto assumir responsabilidades de tecnologia do que o inverso.”
A afirmação reforçou uma das principais mensagens do encontro: o conhecimento do negócio passa a ser um diferencial competitivo tão importante quanto o domínio técnico.
Conhecimento compartilhado impulsiona inovação
A intensa participação do público, com perguntas, experiências e diferentes perspectivas, mostrou que a Inteligência Artificial já ocupa espaço definitivo na agenda das organizações. Mais do que apresentar tendências, o encontro proporcionou um ambiente para discutir aplicações concretas, desafios e oportunidades relacionadas à gestão de produtos digitais.
A DBServices Portugal agradece a presença dos participantes, aos palestrantes Rogerio Timmers, Paulo Guilherme Gil e Alexandre Stumpf, além da parceria da Parasoft, que tornou possível a realização do evento.
A iniciativa reforça o compromisso da DBServices Portugal em promover novos encontros sobre Inteligência Artificial, qualidade de software, engenharia, inovação e demais tecnologias que estão transformando o desenvolvimento de produtos digitais e preparando empresas para os desafios da próxima geração da economia digital.
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